domingo , 16 dezembro 2018
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Em Goiás, saúde pública virou negócio para organizações sociais 

O próprio secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela, admitiu que é possível que algumas Organizações Sociais que administram os hospitais goianos mantenham desnecessariamente pacientes internados para lucrar mais. Isso pode acontecer nos hospitais goianos porque, segundo ele, “um paciente estabilizado é mais barato do que outro que chega com problemas mais graves e precisa de mais medicamentos, cirurgias”.

Superlotação de pacientes

A confissão foi feita durante entrevista ao jornal O Popular e publicada na última segunda-feira (21). As declarações do secretário vieram à tona justamente em um momento em que uma superbactéria já causou a morte de duas crianças no Hospital Materno Infantil – administrado pelo Instituto de Gestão e Humanização. A diretora técnica do Hospital Materno Infantil (HMI), Sara Gardênia, admitiu que a causa das contaminações foi o excesso de pacientes.  

Numa comparação entre os hospitais terceirizados de Goiás e de São Paulo, O Popular mostrou que a média de internação nos hospitais paulistas chega a 8 dias, enquanto em Goiás, esse número sobe para até 14 dias.
“Treinamento”
Ao tentar justificar o injustificável, o secretário de Saúde disse que um dos fatores seria a falta de experiência das Organizações Sociais goianas. Segundo ele, as OSs paulistas têm “10, 15 anos a mais de experiência e expertise que as nossas”. Na prática, o secretário confessa que essas empresas ainda estão fazendo uma espécie de treinamento em nossos hospitais.

Ainda de acordo com o veículo, dados de uma auditoria mostraram que “o custo de um paciente pode variar até quase 10 vezes mais”. Enquanto uma OS cobra R$ 2,4 mil por determinado paciente, outra cobra R$ 22,4 mil pelo mesmo paciente.
“Culpa do servidor”
Para tentar explicar tanta discrepância, as empresas alegaram à reportagem que possuem especificidades o que justificaria as diferenças. A Pró-Saúde chegou a colocar a culpa nos servidores efetivos alegando que entre os motivos estaria “o custo mais alto 60% de mão de obra estatutária com custo-hora em média 50% mais elevado que o celetista”.

A presidenta do Sindsaúde/GO, Flaviana Alves, destaca que o Sindicato foi o que mais fez enfrentamentos contra a terceirização em Goiás e lembra que, prometendo um atendimento mais eficiente, o governo de Goiás conseguiu implantar a terceirização na saúde em 2012. 
Dinheiro público
De acordo com um estudo do Dieese – realizado a pedido do Sindsaúde – no primeiro ano, essas empresas levaram cerca de R$ 211 milhões dos cofres públicos. Em 2014, o valor saltou para R$ 376,6 milhões anuais. 

Flaviana lamenta que, mesmo com milhões de reais entregues a essas empresas, os goianos continuem morrendo sem o atendimento adequado. “Fica evidente que o governo de Goiás criou artificialmente à custa do sucateamento do patrimônio público a falsa necessidade de terceirizar os principais hospitais públicos do estado”.   

Fonte Rádio do Trabalhador 

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